sexta-feira, 9 de abril de 2010

Uma vida normal - Capítulo 2

Há coisas que se transformam, outras que parecem destinadas a ser imutáveis, a repetir-se dia após dia. Era capaz de jurar que o meu olhar, que tudo em mim gritava tudo o que queria que se soubesse, que por vezes tinha vontade de berrar às pessoas, como que a chamá-las á realidade.
Mas tudo continuava na mesma… As pessoas até me cumprimentavam e sorriam para mim. A ironia. Andei por um bocado e sentei-me num banco do jardim no qual dormi sozinha, abandonada á minha sorte. O mundo continuava a girar. Claro. O mundo não pára. Porquê que há-de parar por nossa causa? Nós não somos importantes… Ninguém o é, embora por vezes esperemos ter toda a atenção do mundo em nós como se o nosso problema fosse o mais grave de todos os outros. Somos um em biliões. E na realidade, estava tão sozinha no mundo como naquele banco de jardim.

Devia ser cerca de meio-dia. Já me devia dar por sortuda por não me ter acontecido nada durante a noite, mas agora era tempo de outras decisões. Que ia fazer agora? Voltar? Teria que ser, eventualmente. Não queria. O que aconteceu ontem, que agora parece ter sido há muito tempo, tornou-se a minha vida. Não queria que fosse. Vou, antes de mais, levantar-me. O movimento dá a sensação de algo a acontecer, técnica bastante usada em séries e filmes de cinema. Imaginem-me agora então, joelhos esmurrados, embora escondidos por umas calças de ganga que já deviam ter sido encostadas, cabelo desalinhado, a precisar de um banho e certamente de uma muda de roupa, sem destino, no centro de uma cidade. Pode ser num dia de feira e perto de uma, para aumentar a confusão. Afinal, vocês podem ser uma das pessoas que estão a passar por mim, apressadamente, cheias de compromissos e sem tempo a perder com o que quer que seja.

Ia vê-la. A pessoa que, se ainda estivesse aqui, estaria a manter todas as pessoas sãs, a funcionar. A pessoa que não devia ter morrido , em vez de mim, segundo o meu pai. Entendo-me bem com as pessoas do cemitério. Estão mortas. É calmo, e eu gosto disso. Gosto de andar por lá a ver nomes, ler jazigos, imaginar como teria sido a vida das pessoas que já não estão cá. Talvez arranje , ainda não sei como , uma qualquer forma de comer, pelo caminho. Mas hoje vou ver a mãe.

8 comentários:

Hapi disse...

Carmelita,
Vou tentar falar disso no proximo post xD
Curiosa ;D

Pedro' disse...

Ahahaha não tens de pedir desculpa xD
Perderam bem xP O texto abaixo epa formidável *.*
Beijo

Bitor disse...

quando é k ela recorre á prostituiçao para sobreviver?
eheh!

:P

supertux disse...

Bitor,

veremos. Afinal de contas , ela tem que comprar uma playstation, portanto é provavel.

Sara sem Sobrenome disse...

Pedro
Ah pois perderam bem, perderam.ahaha
E obrigada! Podes ter ido lá comentar. :)
Beijo

Sara sem Sobrenome disse...

oh supertux, não alimentes conversas sobre a playstation, por favor... :)
Já agora... li este capitulo 3 vezes. Enfim.
Sou a próxima a fazer a continuação?

supertux disse...

que tem o capítulo afinal ? podes ser tu , pode ser a carmelita... ainda vai chorar quando ler isto. enfim

Sara sem Sobrenome disse...

Não tem nada. Eu gostei.
Posso ser eu!
Vou ser eu!
Ai, acredito que chore. Sensivel como anda... :)
Beijo