sábado, 3 de abril de 2010

Puta de vida


23:00h.
Estou no local de sempre.
Espero por ele e ao mesmo tempo, espero que ele não venha.
Sei que vai vir. Sei que vai ter o triplo da minha idade. Sei que vai ser nojento. Sei que no fim, vai atirar o dinheiro para o chão. Puta de vida. Eu sei.
Ouço um carro. Espero que não pare. Parou. O vidro abriu e pediu-me para que entrasse. Confirma-se. É velho. Nojento. Eu eu preciso de sair daqui.
Levou-me para um motel "de beira de estrada". Abriu a porta do quarto e o cheiro a esperma, invadiu-me. Porra de vida.
Entro e espero sair dali viva.
Manda-me contra a parede e começa a percorrer o meu corpo com a sua mão grossa e suada. Agarrou-me as mamas com uma força incrível. As lágrimas começam a escorrer-me pela cara. Foda-se.
"Não chores que não vai doer." Esta frase ecoa na minha cabeça.
Atirou-me para a cama, arrancou-me a camisola, subiu-me a saia, tirou-me as cuecas e as lágrimas estão cada vez mais grossas. Penetrou-me e eu não sinto prazer. Apetece-me fugir dali. Apetece-me... mas não posso.
Limitei-me a abrir as pernas. Pediu para que eu gritasse. Grito. Não de prazer, mas sim de dor. Dor, mas não uma dor física.
Veio-se. Acabou. Saiu de cima de mim, pegou na carteira e atirou o dinheiro para o chão. Vesti-me e mesmo assim as lágrimas teimam em cair. Tenho nojo dele e tenho nojo de mim. Sinto-me suja. Deixou-me no sítio onde me foi buscar.
Quando eu estava a sair do carro, agarrou-me no braço e disse:
"Até amanhã."
01:30h.
Ouço um carro. Espero que não pare. Parou...

10 comentários:

Tânia (; disse...

Aquilo foi um desabafo.
Ás vezes acordamos, pelo menos eu, com vontade a ser aquela tchavalinha...
Mas claro que é bom termos a nossa liberdade (; e secalhar não trocava isso por nada.
Obrigada querida ^^
-Tu também escreves muito bem

Beijinhú*

Sara sem Sobrenome disse...

Olá
Sim, tens razão. Se calhar era mais fácil voltar a ser criança (às vezes, só às vezes). E eu, tal como tu, não trocava a minha liberdade, por nada.
Obrigada.
Beijinho.

O Idiota disse...

Ainda aqui há uns tempos vi um anúncio no jornal. A câmara estava a pedir varredores(as) de rua. Pagavam o ordenado mínimo.
As putas do mercado, antes do anúncio, eram 4. Depois do anúncio eram 4.
Dá muito trabalho varrer, e é um emprego sujo...

Mas gostei do texto.

Bitor disse...

ai eu sou mt puro para andar a ler coisas destas vou me sair daki....

:P

Sara sem Sobrenome disse...

O Idiota

Mas eu neste texto, falo de uma puta sem acesso ao jornal. Conclusão: não soube desse anúncio.
Sim, tens razão. Mas eu tenho a certeza que muitas estão naquela vida (que eu acho porreira), por necessidade. Não porque querem.
Ah e puta não, mulher de livres costumes. :)
Obrigada!
Beijo

Sara sem Sobrenome disse...

Bitor

Es muito puro? Também eu. (COF COF) Eu fui obrigada a escrever isto, ou eu escrevia ou levava um chicotada.
Prometo que da próxima vez, escrevo uma coisa mais... INOCENTE? :)
Beijo

Hapi disse...

Muito bom!
Muito verdade...

Sara sem Sobrenome disse...

Hapi

Infelizmente, infelizmente...
Obrigado pela visita ao nosso modesto estaminé e passa cá mais vezes...
Beijo

Alice Psicótica disse...

Gostei muito deste texto e sinceramente até fiquei inspirada pelo tema.Talvez ainda acabe por escrever algo relacionado com isto,até porque já tive uma amiga que era prostituta...

Um beijo Sara :)

Sara sem Sobrenome disse...

Alice Psicótica

Obrigada Alice. Dá-lhe com força. Só escrevi este texto, para fugir à regra dos textos do meu blog. Que são muito estúpidos. Nunca me achei capaz de escrever coisas sérias.
Eu amigas putas, tenho muitas. Putas e cabras. (In)felizmente. Mas, prostitutas a sério, nem uma. Com muita pena minha.
Dois beijos Alice :)